A reforma tributária em vigor a partir de 2026 trouxe mudanças que impactam diretamente o mercado de aluguéis de imóveis, especialmente no segmento de curta duração. Com a aprovação da Lei Complementar nº 214/2025, parte das locações — como as de temporada — passou a ser tratada como prestação de serviços de hospedagem, e não mais apenas como renda imobiliária.
Essa mudança pode fazer com que os preços dos aluguéis aumentem consideravelmente para compensar os maiores custos tributários. Pela nova regra, locadores de imóveis por temporada — contratos com duração inferior a 90 dias — começam a estar sujeitos à incidência do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Esses impostos incidem sobre a receita bruta da atividade, em vez do lucro, o que difere do tratamento anterior baseado apenas no Imposto de Renda. Essa lógica fiscal pode levar proprietários a repassarem parte dos custos ao preço final dos aluguéis, resultando em alta de até cerca de 44% nos valores cobrados, segundo projeções de especialistas do setor imobiliário.
A transição para esse novo regime tributário, embora gradual, já começou a influenciar decisões de precificação e planejamento financeiro tanto de pequenos proprietários quanto de investidores maiores no mercado imobiliário. A exigência de atendimento a novas obrigações fiscais reforça a necessidade de profissionalização dos serviços de locação e a revisão das estratégias de negócio.
Para moradores e consumidores, isso pode significar não apenas aluguéis mais altos, mas também mudanças na oferta de imóveis para locação em plataformas digitais e de curta duração, como alternativas de hospedagem em destinos turísticos. Dependendo da estrutura de custo adotada pelos proprietários, a elevação de preços pode refletir diretamente no bolso de quem busca estadias.
Mudanças fiscais pressionam proprietários e inquilinos
Especialistas avaliam que o novo modelo tributário pode alterar significativamente a dinâmica do mercado de locação, sobretudo nas grandes cidades e destinos turísticos. Com a incidência dos novos tributos sobre a receita bruta, muitos proprietários devem recalcular contratos e reajustar valores para manter a margem de lucro, o que tende a impactar diretamente o consumidor final.
Ao mesmo tempo, há preocupação com possível redução na oferta de imóveis para temporada, já que parte dos donos pode optar por migrar para contratos tradicionais ou até retirar os imóveis das plataformas digitais. O cenário para 2026 indica um período de adaptação, com negociações mais duras e maior atenção aos custos envolvidos nas locações.






