Desertos e samambaias dificilmente são associados, mas no Deserto de Chihuahua, que se estende entre os Estados Unidos e o México, existe uma espécie singular conhecida como “planta da ressurreição” (Selaginella lepidophylla). Diante de condições extremas de aridez, a planta entra em estado de dormência, seca completamente e passa a aparentar estar “morta”.
Basta, porém, uma chuva rara para que a planta “reviva”, abrindo-se em um espetáculo de folhas verdes intensas. Em sua fase ativa, os caules da Selaginella lepidophylla são verdes, achatados e organizados em padrão espiral. Já durante o período de dormência, essas hastes se retraem, adquirem tonalidade acinzentada ou marrom e formam uma bola compacta de cerca de 6 a 8 centímetros.
Esse comportamento impressionante é resultado de uma adaptação extrema ao ambiente hostil do deserto. A Selaginella lepidophylla é capaz de perder quase toda a água de seus tecidos sem sofrer danos irreversíveis, interrompendo temporariamente suas funções metabólicas. Nesse estado, pode permanecer inativa por meses ou até anos, sendo facilmente transportada pelo vento.
Quando a umidade retorna, mesmo em pequenas quantidades, a planta reativa rapidamente seus processos biológicos. As células absorvem água, os tecidos se expandem e a fotossíntese é retomada em poucas horas, permitindo que volte a crescer e se reproduzir. Essa capacidade de “ressurreição” continua sendo alvo de estudos científicos.
Adaptação extrema que garante sobrevivência no deserto
A habilidade de entrar em dormência profunda faz da planta da ressurreição um exemplo raro de resistência biológica. Ao suspender quase completamente suas atividades vitais, ela evita danos estruturais nas células, protegendo proteínas e membranas mesmo após longos períodos sem água. Essa estratégia permite que a espécie sobreviva em um dos ambientes mais inóspitos do planeta.
Além de impressionar pela aparência, o mecanismo da Selaginella lepidophylla desperta interesse científico por seu potencial aplicado. Pesquisadores estudam suas propriedades para compreender melhor a tolerância à dessecação, um conhecimento que pode contribuir para avanços na agricultura, na preservação de sementes e no desenvolvimento de culturas mais resistentes às mudanças climáticas.






