A aviação vive um cenário curioso: mesmo oferecendo salários que podem chegar a R$ 20 mil por mês, falta gente qualificada para assumir o comando das aeronaves. A profissão de piloto, essencial para sustentar o crescimento do setor aéreo, enfrenta um déficit crescente de profissionais, impulsionado pela expansão das companhias, pelo aumento da demanda por voos e pela complexidade da formação necessária.
Com a retomada acelerada do transporte aéreo e a abertura de novas rotas, companhias nacionais e internacionais têm ampliado a busca por pilotos, mas esbarram na baixa oferta de profissionais prontos para atuar. A formação longa, os altos custos dos cursos e a exigência de certificações rigorosas acabam afastando muitos interessados.
O resultado é um setor que paga bem, oferece oportunidades constantes e, ainda assim, luta para preencher suas vagas. De acordo com uma reportagem do g1, o treinamento de novos pilotos foi interrompido em diversos países durante e após a pandemia de Covid-19, período em que ainda havia incertezas sobre o futuro do setor de viagens.
Embora o mercado tenha se recuperado, essa pausa na formação criou um déficit significativo de profissionais na função. Ao mesmo tempo, a pandemia funcionou como um “empurrão” para que muitos pilotos experientes antecipassem a aposentadoria, o que ampliou ainda mais a escassez de profissionais no setor.
Formação demorada e custos elevados dificultam
Para ingressar na carreira, o candidato precisa cumprir uma série de etapas que vão desde cursos teóricos até centenas de horas de voo, além de exames técnicos e médicos. Esse processo pode levar anos e exige dedicação integral, o que acaba limitando o número de profissionais que conseguem chegar até a licença final de piloto comercial.
Somado a isso, o investimento financeiro é considerado um dos principais obstáculos: formar-se piloto no Brasil pode custar entre R$ 100 mil e R$ 250 mil, dependendo da escola e das horas de voo necessárias. Com um valor tão alto, muitos interessados desistem no meio do caminho ou sequer conseguem iniciar a formação, contribuindo para o déficit que hoje preocupa companhias aéreas de todo o mundo.





