A inteligência artificial vem redesenhando o mercado de trabalho. Enquanto parte dos profissionais teme a substituição pela automação, novas funções ganham protagonismo. Uma das funções em destaque é a de engenheiro de Inteligência Artificial.
Responsável por projetar, testar e implementar sistemas, o cargo ocupa o topo do ranking de profissões que mais crescem no Brasil, segundo relatório do LinkedIn divulgado em janeiro.
Para Daniel Lázaro, líder de dados e Inteligência Artificial da Accenture na América Latina, o papel dessa profissão vai além da programação. “O engenheiro de IA moderno traduz problemas de negócios em arquiteturas de IA escaláveis que geram valor real”, afirma ele.
Demanda alta e poucos profissionais
A expansão da IA ampliou a procura por esses profissionais, mas a oferta não acompanha o ritmo de cresimento. O resultado é uma escassez considerada crítica pelas empresas, especialmente para lidar com sistemas complexos.
Mesmo assim, o acesso à carreira costuma exigir experiência prévia de, em média, três anos e meio em funções como engenharia de software ou ciência de dados. O mercado também se destaca pela flexibilidade. Em 2025, mais de 63% das vagas foram remotas e cerca de 13% híbridas.
Salários podem passar de R$ 27 mil
A combinação de alta demanda e falta de profissionais qualificados justifica os altos salários. Segundo o Guia Salarial Robert Half 2026, a remuneração de um engenheiro de IA no Brasil varia entre R$ 19.500 e R$ 27.100 mensais, podendo até ultrapassar esse valor.
O potencial de crescimento é apontado como amplo, pois a progressão deixa de ser apenas técnica e passa a ser de negócio, abrindo caminho para cargos de liderança, como Chief AI Officer ou head de Data & AI.
O que faz um engenheiro de IA hoje
Entre as principais atribuições estão a orquestração de agentes, a criação de soluções ligadas às dores do negócio e a gestão da infraestrutura de dados em nuvem, garantindo segurança e uso ético das informações.
Perfil, formação e desigualdade
O perfil buscado é o do chamado “polímata digital”, que combina hard skills, como Python, frameworks de IA e arquitetura de LLMs, com soft skills, como comunicação e empatia.
Apesar do avanço da área, a desigualdade de gênero persiste. Em 2025, apenas 10,58% das contratações foram de mulheres frente a 89,42% de homens, segundo dados do LinkedIn.






