Muita gente acredita que a felicidade diminui com o passar dos anos, mas estudos indicam o contrário: ela pode crescer na maturidade, especialmente a partir dos 60 anos, segundo o neurocientista Fabricio Ballarini.
Apesar da ideia de que a juventude seria a fase mais valiosa da vida, uma pesquisa recente do National Bureau of Economic Research (NBER) aponta que os níveis de insatisfação tendem a cair com o avanço da idade. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram indicadores de bem-estar em mais de cem países desenvolvidos ao longo de várias décadas.
“Já existem diversos estudos globais que demonstraram que, ao atingirem os 60 anos de idade, as pessoas equilibram suas prioridades, sabem o que fazer e o que não fazer, e são menos estressadas porque possuem uma certa sabedoria adquirida com a experiência de vida”, disse Ballarini.
O nível mais alto de bem-estar costuma aparecer na infância e na adolescência, fases marcadas por maior liberdade, autonomia e convivência social. A partir dos 18 anos, porém, esse índice tende a cair com a entrada no mercado de trabalho ou na vida acadêmica, o aumento das responsabilidades e a redução da sensação de prazer e leveza.
O ponto mais baixo geralmente ocorre por volta dos 40 anos. Após a chamada crise da meia-idade, os níveis de satisfação voltam a crescer a partir dos 50 anos, atingindo o auge em torno dos 60 anos.
Por que a felicidade cresce com a maturidade, segundo a ciência
Pesquisadores explicam que o aumento do bem-estar na maturidade está ligado a uma melhor gestão das expectativas e das emoções. Com o passar dos anos, as pessoas tendem a valorizar mais as relações significativas, a saúde e o equilíbrio emocional, deixando de lado pressões externas como status e comparação social, fatores que costumam gerar frustração na juventude.
Além disso, a experiência acumulada ao longo da vida contribui para maior resiliência diante de problemas e perdas. Aos 60 anos, muitos já enfrentaram desafios importantes, aprenderam a lidar com frustrações e passaram a fazer escolhas mais conscientes, o que favorece uma sensação mais estável e duradoura de felicidade.






