A síndrome de pica é um transtorno alimentar pouco conhecido, mas mais comum do que se imagina. Caracteriza-se pelo desejo persistente de ingerir substâncias que não são consideradas alimentos, como gelo, terra, papel ou até mesmo cabelo.
Embora muitas vezes seja vista como uma curiosidade ou manias inofensivas, essa condição pode estar ligada a deficiências nutricionais, alterações psicológicas ou até problemas de saúde mais graves. Entender o que é a pica, suas causas e impactos é essencial para reconhecer sinais que, talvez, façam parte da sua rotina sem que você perceba.
Entre os exemplos mais comuns de pica está o hábito de mascar ou roer gelo, conhecido como pagofagia. Muitas pessoas acreditam que isso é apenas um costume ou uma forma de aliviar o estresse, mas, em alguns casos, pode indicar deficiência de ferro ou anemia.
Outros comportamentos, como comer terra, barro ou argila (geofagia) e ingerir papel ou tecido (xilofagia), também se enquadram nesse transtorno. O diagnóstico, porém, só é considerado quando o comportamento é persistente e ocorre por pelo menos um mês, sem estar associado a práticas culturais ou religiosas.
Causas e tratamento da síndrome de pica
As causas da síndrome de pica ainda não são totalmente compreendidas, mas estudos apontam uma forte relação com deficiências nutricionais, especialmente de ferro, zinco e cálcio. Além disso, fatores psicológicos, como ansiedade, depressão e transtornos do desenvolvimento, também podem desencadear o comportamento.
Os sintomas vão além do simples ato de ingerir itens não alimentares. Dependendo da substância consumida, podem surgir problemas gastrointestinais, intoxicações, infecções e até complicações mais graves, como perfurações intestinais. Por isso, é fundamental não ignorar sinais que parecem banais, como a compulsão por gelo ou o hábito de mastigar papel, pois podem indicar algo mais sério.
O tratamento geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, combinando exames médicos para identificar deficiências nutricionais, acompanhamento psicológico e, em alguns casos, uso de suplementos. Quando a causa é emocional, a terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a controlar o impulso e substituir o hábito por alternativas mais saudáveis.






