O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) agendou para a próxima quinta-feira (12) o julgamento de Abel Braga, ex-treinador e atual dirigente do Internacional. Ele responde a denúncia com base no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de condutas discriminatórias ou ofensivas relacionadas a preconceito no esporte.
O processo diz respeito a uma declaração feita em 2025, durante uma entrevista coletiva. Na ocasião, Abel comentava o ambiente interno do clube após a saída do técnico Ramón Díaz e utilizou uma expressão associada à homofobia ao afirmar que não gostaria de ver o elenco treinando com camisa rosa, pois, segundo ele, a equipe pareceria um “time de veado”.
Repercussão e denúncia formal
A fala teve ampla repercussão negativa nas redes sociais e entre entidades ligadas aos direitos humanos. O caso foi levado à Justiça Desportiva pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, que considerou a declaração ofensiva e discriminatória, sobretudo por partir de uma figura pública em posição de liderança no futebol brasileiro.
A entidade argumenta que manifestações desse tipo reforçam estigmas e contribuem para a exclusão de grupos historicamente marginalizados, em um ambiente que ainda enfrenta dificuldades para lidar com diversidade e inclusão.
O que diz o Código Brasileiro de Justiça Desportiva?
O artigo 243-G do CBJD prevê punições para atos discriminatórios relacionados a raça, gênero, orientação sexual, etnia ou condição social. As sanções podem variar entre cinco e dez partidas de suspensão, além de multa, conforme a gravidade da infração e a avaliação do tribunal.
Embora Abel Braga não esteja mais no comando técnico do Internacional, uma eventual punição pode impactar sua atuação como dirigente, já que as sanções se aplicam a membros vinculados às atividades esportivas do clube.
Mudança de função no clube
Após a campanha que garantiu a permanência do Internacional na elite do futebol brasileiro, Abel deixou o cargo de treinador e passou a exercer funções administrativas na diretoria colorada. A transição ocorreu pouco tempo depois da declaração que motivou a denúncia.
Diante da reação negativa, Abel Braga se manifestou publicamente por meio das redes sociais. No pronunciamento, reconheceu que a fala foi inadequada e afirmou que cores não definem orientação sexual ou identidade de gênero. Segundo ele, o caráter das pessoas não está associado a símbolos ou aparências.
O dirigente também pediu desculpas à torcida, aos atletas e a todos que se sentiram ofendidos, destacando que o momento exigia serenidade e concentração no trabalho interno do clube.
Expectativa para o julgamento
O STJD deve analisar o contexto da declaração, o alcance da fala e a retratação apresentada. A Corte também costuma considerar se houve intenção discriminatória e o impacto da manifestação no ambiente esportivo.
O julgamento ocorre em um momento em que o futebol brasileiro tem sido pressionado a adotar posicionamentos mais firmes contra discursos preconceituosos, dentro e fora de campo. A decisão pode servir como novo parâmetro para casos semelhantes no esporte nacional.
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