Grandes operações da Polícia Federal realizadas na última semana, como a “Carbono Oculto” e a “Operação Tank”, revelaram um complexo esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, envolvendo a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em oito estados brasileiros.
Entre os golpes mais prejudiciais aos consumidores está a prática conhecida como “bomba fraudada” ou “bomba baixa”, que altera deliberadamente a quantidade de combustível entregue. As investigações apontam que centenas de postos de combustíveis participaram do esquema.
Segundo Paulo Miranda, presidente da Fecombustíveis, é importante diferenciar as duas situações:
- Bomba baixa: ocorre por problemas técnicos, entregando volume ligeiramente inferior ao exigido por lei, sem dolo ou intenção de enganar.
- Bomba fraudada: ato deliberado em que o empresário utiliza um chip para reduzir a quantidade de combustível entregue, prejudicando o consumidor. Essa prática é mais frequente em São Paulo e está diretamente ligada ao PCC.
O inquérito aponta que a rede do PCC movimentou cerca de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com R$ 7,6 bilhões em sonegação de tributos. Em um único dia, postos ligados ao esquema receberam 12 mil depósitos em espécie. Além de São Paulo, o esquema também envolveu Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão e Rio de Janeiro.
Como funcionava a lavagem de dinheiro na Faria Lima
- Postos de combustíveis como fachada: Cerca de 1.000 postos em oito estados brasileiros recebiam pagamentos em espécie ou por maquininhas de cartão operadas pela organização criminosa. Esses valores eram então encaminhados para o sistema financeiro, mascarando a origem ilícita dos recursos.
- Fintechs e fundos de investimento: Instituições financeiras digitais, como a BK Bank, e fundos de investimento localizados na Faria Lima foram utilizados para ocultar a verdadeira titularidade dos recursos. Uma fintech movimentou mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024, recebendo depósitos em espécie, prática incomum para bancos digitais.
- Empresas de fachada e laranjas: A rede criminosa utilizava centenas de empresas em diversos setores e estados, empregando “empresas de fachada” e “laranjas” para mascarar os verdadeiros controladores e beneficiários.
- Operadores financeiros: Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, foram identificados como principais operadores do esquema. Eles utilizavam gestoras de fundos e administradoras para lavar dinheiro e ocultar bens.
- Impacto financeiro: Entre 2020 e 2024, o esquema movimentou cerca de R$ 52 bilhões, com R$ 7,6 bilhões em tributos sonegados.






