A Câmara Municipal de São Paulo decidiu conceder um benefício extra de Natal aos cerca de 2 mil servidores da Casa. No começo de dezembro, foi aprovado um pagamento adicional de R$ 2.033,93 — apelidado informalmente de “vale-peru” — incorporado ao auxílio-alimentação já oferecido mensalmente.
Com o incremento, cada servidor passa a receber R$ 4 mil no mês, o que representa um impacto de aproximadamente R$ 8 milhões aos cofres públicos. O valor extra foi autorizado por meio de uma resolução interna, e a ampliação do benefício, que dobrou o auxílio-alimentação de R$ 2 mil, ocorreu sem grande alarde ou divulgação pública.
Bônus de Natal
O benefício se soma ao vale-refeição diário de R$ 93 já pago aos servidores, cujo valor teve reajuste de 9,4% em março de 2025 — acima da inflação do período. Nos últimos anos, a Câmara Municipal de São Paulo vem ampliando seus pacotes de benefícios, o que frequentemente levanta debates sobre a sustentabilidade dessas medidas e o uso dos recursos públicos.
Além do “vale-peru”, o auxílio-saúde também passou por atualização. Em junho de 2025, a Casa aprovou um reajuste de 22% no reembolso para despesas médicas, seguindo critérios previstos em lei. Com o novo valor, o total de reembolsos alcançou R$ 5,9 milhões apenas no mês de julho.
Debates sobre privilégios e impacto no orçamento público
A concessão do benefício extra reacendeu discussões sobre a disparidade entre as vantagens oferecidas ao funcionalismo legislativo e as condições enfrentadas pela maioria dos trabalhadores brasileiros. Especialistas em contas públicas apontam que reajustes frequentes e gratificações sazonais elevam significativamente o custo da máquina pública.
Outro ponto levantado por críticos é a falta de transparência na aprovação desses benefícios, muitas vezes decididos internamente e com baixa divulgação à população. Para eles, a Câmara deveria adotar critérios mais rígidos e abrir o debate à sociedade, garantindo que decisões que impactam milhões no orçamento sejam amplamente discutidas.






