Os preços do café registraram fortes altas aos produtores em agosto, de acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), vinculado à USP. O destaque ficou para o café robusta (conilon), que acumulou alta de 43% no mês até segunda-feira (25).
O indicador do Cepea fechou a segunda com preços de R$ 1.469,43 por saca de 60 kg do robusta e R$ 2.287,56 do arábica. Pesquisadores apontam que os aumentos se devem a estoques reduzidos, frio e geadas que preocupam os produtores, além da instabilidade no setor causada pela sobretaxa de 50% sobre exportações para os Estados Unidos.
Para o consumidor, o impacto nos preços pode levar semanas ou até meses para se concretizar, segundo André Braz, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Ele explica que é necessário percorrer todas as etapas de beneficiamento, torrefação, industrialização e logística do café. “Em geral, os repasses ao consumidor ocorrem de forma gradual e não imediata”, afirma.
Em julho, o café moído registrou queda de 0,36% para os consumidores, marcando a primeira redução após um ciclo de 18 meses de alta, segundo o IPCA-15 (índice de inflação medido pelo IBGE). Até meados de agosto, o produto acumulava recuo de 1,47%.
Impactos do “tarifaço” de Donald Trump
- Redução das exportações brasileiras para os EUA: O aumento do custo torna o café brasileiro menos competitivo em relação a outros países produtores, podendo levar importadores americanos a buscar fornecedores alternativos.
- Pressão sobre os preços internos: Com a diminuição das exportações, parte da produção que seria vendida ao exterior permanece no mercado interno, o que pode gerar flutuações de preços para os consumidores brasileiros.
- Impacto nos produtores: Pequenos e médios produtores podem enfrentar dificuldades financeiras se dependem fortemente do mercado americano. Já os grandes exportadores podem tentar repassar parte do impacto ao preço interno.
- Volatilidade no mercado internacional: Como os EUA são um grande importador, a sobretaxa pode desorganizar cadeias globais de comércio de café, influenciando preços em outros países e contratos futuros.
- Incentivo a ajustes estratégicos: Exportadores podem buscar novos mercados, negociar prazos ou contratos diferenciados, e investir em diferenciação do produto, como cafés especiais ou orgânicos, para manter competitividade.






