O advogado Alexandre Kale, que representa dois adolescentes apontados como possíveis agressores do cachorro Orelha, afirma que o depoimento deles à polícia, na última segunda-feira (2), “foi tranquilo” e que os indícios existentes contra ambos são “bem frágeis”.
Ressaltando que não pode entrar em detalhes devido ao segredo de Justiça, Kale afirma que, embora não exista qualquer prova contra os jovens e as suspeitas se apoiem em fundamentos frágeis, eles já estariam, na prática, condenados e submetidos a uma punição severa e injusta.
“Esses meninos sofreram uma inquisição digital e o dano é irreparável. Ambos não podem sair de casa para nada. Nem eles nem os familiares. Na prática, já estão presos. Ainda que não sejam indiciados e apontados como culpados, ainda pesa o fato de estarem sendo massacrados pela mídia eletrônica”, disse o advogado.
Kale afirma acreditar que a análise dos celulares e de outros dispositivos eletrônicos apreendidos, assim como das imagens das câmeras da Praia Brava — onde Orelha vivia e foi morto —, deve ajudar a comprovar a inocência dos garotos. O animal, que tinha cerca de 10 anos e era cuidado pela comunidade, foi agredido a pauladas no início do ano e encontrado ferido por moradores no dia 16 de janeiro.
Relembre o caso do Cão Orelha
Orelha foi socorrido e encaminhado para atendimento veterinário, mas, diante da gravidade dos ferimentos, acabou sendo submetido à eutanásia. O episódio ganhou repercussão nacional após ser divulgado por influenciadores, ativistas e artistas como Ana Castela, Alexia Dechamps e Paula Burlamaqui, que passaram a cobrar justiça para o animal e a responsabilização dos envolvidos.
De acordo com a polícia, a agressão aconteceu no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, uma das mais frequentadas da capital catarinense, localizada no norte da ilha de Florianópolis (SC), região conhecida por condomínios de alto padrão e por atrair turistas e surfistas.
As investigações avançaram e ganharam novos desdobramentos quando três adultos — dois pais e um tio de adolescentes apontados como suspeitos — foram mencionados pela polícia como autores de coação de testemunha.






