A segunda maior economia do mundo, a China, registrou em agosto um ritmo mais fraco de crescimento. Dados oficiais mostram que a produção industrial e o consumo interno avançaram abaixo das expectativas, aumentando a incerteza sobre a meta de 5% de expansão em 2025, estabelecida pelo governo de Pequim.
Além da perda de fôlego do setor imobiliário e da queda nas exportações, a confiança do consumidor segue em baixa, pressionando as autoridades a adotar medidas de estímulo mais fortes.
Produção industrial perde força
Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China (ONE), a produção industrial subiu 5,2% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado. Apesar do resultado positivo, o número representa o crescimento mais fraco em quase um ano e ficou abaixo da previsão de analistas, que esperavam 5,6%.
Especialistas avaliam que a desaceleração tem caráter estrutural, agravado por fatores climáticos, e apontam que o ritmo da atividade industrial já vinha em queda antes desses impactos.
Consumo interno abaixo das expectativas
As vendas no varejo avançaram apenas 3,4% em agosto, a menor alta desde novembro de 2024 e inferior à projeção de 3,8% da Bloomberg. O recuo reflete a cautela das famílias em gastar, um movimento que preocupa o governo, já que o consumo interno é essencial para um crescimento mais equilibrado da economia chinesa.
Crise imobiliária se aprofunda
O setor imobiliário, que durante anos impulsionou a economia, continua em crise. Em agosto, os preços de imóveis novos caíram em 65 das 70 principais cidades pesquisadas. O endividamento elevado das construtoras e a menor demanda por habitação colocam pressão sobre outros segmentos, como o setor financeiro e a indústria de materiais.
Mercado de trabalho e tensões externas
A taxa de desemprego urbano passou de 5,2% em julho para 5,3% em agosto, um aumento pequeno, mas que reforça a fragilidade do mercado de trabalho e afeta diretamente a renda das famílias.
No cenário externo, as tensões comerciais com os Estados Unidos seguem pesando. Apesar de um acordo provisório que reduziu tarifas para 30% (EUA) e 10% (China), a trégua expira em novembro, aumentando as incertezas sobre o futuro das exportações chinesas.
Meta de crescimento em risco
Com indústria em desaceleração, consumo retraído, crise imobiliária e tensões comerciais, economistas consideram cada vez mais difícil a China atingir a meta de 5% de crescimento em 2025 sem novos pacotes de estímulo. Entre as medidas possíveis estão cortes de juros, mais investimentos em infraestrutura e programas de incentivo ao consumo.
O desafio de Pequim será equilibrar a necessidade de estimular a economia com o risco de elevar ainda mais o nível de endividamento do país.






