No Japão, existe um programa social chamado Seikatsu Hogo, muitas vezes comparado a um “Bolsa Família asiático” por garantir auxílio financeiro a quem não consegue se sustentar. Destinado a residentes em situação de vulnerabilidade, ele cobre desde despesas básicas, como alimentação e moradia, até custos médicos e apoio educacional.
Pouca gente sabe, mas brasileiros que residem legalmente no Japão também têm direito a solicitar esse benefício, desde que cumpram os requisitos estabelecidos. É o caso de Yoshio, paulistano de 80 anos e filho de imigrantes japoneses, que chegou ao país na década de 1990. Após longos anos de trabalho em fábricas, um acidente o deixou sem aposentadoria, sem seguro e sem meios de garantir o próprio sustento.
Para casos como o de Yoshio, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão instituiu o Seikatsu Hogo, um programa voltado a assegurar condições mínimas de dignidade a quem não consegue se manter sozinho, seja em razão da idade avançada, de enfermidades, de deficiências ou do desemprego.
Para ser elegível ao programa social, o requerente deve comprovar: eesidência legal no Japão, baixa renda ou ausência de recursos financeiros, incapacidade de contar com familiares que possam prestar apoio e impossibilidade de inserção no mercado de trabalho (por idade ou enfermidade).
A lei japonesa não impede que estrangeiros tenham acesso ao programa, desde que cumpram os requisitos estabelecidos. Nas eleições parlamentares de julho de 2025, diversos candidatos de orientação conservadora transformaram o Seikatsu Hogo em pauta de campanha, alegando que 33% dos beneficiários eram estrangeiros — dado que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
Números do “bolsa família asiático” são outros
Os números oficiais de 2023 revelam um cenário bem diferente: dos 1,65 milhão de lares atendidos, apenas 2,9% (45.973 famílias) eram de estrangeiros. Entre os grupos mais dependentes do auxílio estão os zainichi, descendentes de coreanos que migraram para o Japão antes da Segunda Guerra Mundial.
Além deles, brasileiros e peruanos também compõem uma parcela significativa dos estrangeiros em situação de vulnerabilidade, sobretudo após a aposentadoria ou quando perdem a capacidade de trabalhar.






