Dados recentes estão evidenciando, mais uma vez, uma desigualdade salarial impressionante. De um lado, trabalhadores do Paraná comemoram a aprovação de um piso regional que pode chegar a R$ 2.407,90. De outro, um desembargador recebeu, em um único mês, o valor líquido de R$ 354.558,65, que é quase 150 vezes superior ao novo mínimo estadual mais alto.
O piso salarial paranaense, validado pelo Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda, supera com folga o salário mínimo nacional de R$ 1.621. A maior faixa contempla técnicos de nível médio, enquanto a menor, destinada a trabalhadores rurais, começa em R$ 2.105,34. Mesmo assim, o maior piso regional não chega perto do que foi pago ao desembargador.
Supersalário no Judiciário reacende debate
Dados do Conselho Nacional de Justiça, acessados pelo g1, mostram que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Ibanez Monteiro, teve rendimento bruto de quase R$ 385 mil em janeiro. O valor líquido ultrapassou R$ 354 mil.
O teto constitucional do funcionalismo público é de R$ 46,3 mil, equivalente ao valor pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o tribunal, o salário-base do magistrado ficou dentro desse limite, mas verbas indenizatórias, como férias acumuladas e plantões, elevaram o total recebido.
Conta que não fecha
Na prática, o contracheque do desembargador equivale a mais de 15 anos de trabalho de um profissional que receba o piso regional mais alto do Paraná. A disparidade salarial evidencia a distância entre a “base e o topo” dos trabalhadores brasileiros.
O tema voltou ao centro das discussões após o ministro Flávio Dino defender a revisão dos chamados “penduricalhos”, adicionais que permitem ultrapassar o teto por meio de indenizações.
Entre reajustes regionais e remunerações milionárias, o debate sobre desigualdade salarial no país ganha novos capítulos.






