A cidade de Assis, na Itália, vive dias de intensa movimentação. Cerca de 400 mil pessoas já reservaram lugar para visitar, até março, os restos mortais de São Francisco de Assis, expostos ao público em uma mostra inédita que marca os 800 anos de sua morte.
Guardado há séculos na cripta da Basílica de São Francisco de Assis, o esqueleto do santo foi retirado do cofre metálico onde permanecia protegido e colocado diante do altar da igreja. A estrutura transparente e blindada permite que os visitantes vejam e toquem o relicário.
Filas se formaram desde as primeiras horas da manhã na abertura da visitação. A expectativa é receber até 19 mil pessoas por dia nos fins de semana.
Segurança reforçada e preservação
O pequeno esqueleto, disposto sobre tecido branco, apresenta marcas do tempo, incluindo danos no crânio, ocorridos ainda no século XIII, durante sua transferência para a basílica. Especialistas asseguram que a exposição não compromete a conservação, já que a urna de acrílico é selada, sem contato com o ar externo, e a iluminação permanece suave.
Além da estrutura de vidro cobrindo a de acrílico, o espaço conta com vigilância permanente por câmeras.
A túmulo de Francisco foi redescoberto apenas em 1818, após escavações. Desde então, os restos mortais raramente foram exibidos, a última vez havia sido em 1978, por apenas um dia e a um público restrito.
Fé, tradição e significado
À AFP, o frei Cesáreo disse que a veneração de relíquias faz parte da tradição cristã desde os primeiros séculos. Para os organizadores, a exposição vai além do aspecto histórico e pode tocar também quem não professa a fé católica, ao lembrar a vida do santo, marcada por renúncia e dedicação aos pobres.
Padroeiro da Itália, São Francisco voltará a ser celebrado com feriado nacional em 4 de outubro, data que também remete ao legado reforçado pelo Papa Francisco, primeiro pontífice a adotar seu nome.






