Quem olhasse para o céu às 19h45 do dia 17 de fevereiro de 1875 poderia ter visto a aurora austral do Rio de Janeiro. Irmã da aurora boreal, esse fenômeno cria um espetáculo de luzes no céu, resultado de tempestades solares, mas ocorre no Hemisfério Sul, onde está localizado o Brasil.
O episódio foi registrado nos jornais da época e, mais recentemente, confirmado por um estudo publicado em 2024 pelo pesquisador Denny M. Oliveira. Na ocasião, o fenômeno também foi observado pelo astrônomo francês Emmanuel Liais, então diretor do Observatório Imperial do Rio de Janeiro — atual Observatório Nacional.
Liais observou no céu da cidade, usando um espectroscópio, raios de luz em movimento, com tons vermelhos na parte inferior e esverdeados na superior. Essa observação é considerada o primeiro registro de uma aurora esporádica na América do Sul.
De acordo com o estudo, o Brasil atravessava variações seculares na latitude magnética, e os pesquisadores apontam duas possíveis explicações: uma entrada de energia magnética ou o impacto de choques interplanetários inclinados. Embora o planeta tivesse registrado, anos antes, a maior tempestade solar conhecida, não há registros confiáveis de que o fenômeno tenha sido observado no país.
O que é uma aurora austral?
Uma aurora austral é um fenômeno natural de luz que ocorre no céu noturno do Hemisfério Sul, semelhante à aurora boreal, que acontece no Hemisfério Norte. Ela é causada pela interação de partículas carregadas do vento solar com o campo magnético e a atmosfera da Terra.
Quando essas partículas solares atingem a atmosfera terrestre, elas colidem com gases como oxigênio e nitrogênio, liberando energia na forma de luz. O resultado é um show de cores no céu, geralmente em tons de verde, vermelho, roxo e azul, que podem se mover e se ondular em padrões impressionantes.






