Em Kiev, capital da Ucrânia, a guerra e os ataques à infraestrutura energética empurraram milhares de moradores — sobretudo idosos — para uma luta diária pela sobrevivência em meio ao inverno rigoroso. Bombardeios russos recentes atingiram a rede elétrica e o sistema de aquecimento, deixando dezenas de milhares de casas sem luz, calor ou água quente, enquanto as temperaturas chegam a −20 °C.
Para idosos como Lidia Teleschuk, de 91 anos, o frio extremo é um inimigo tão implacável quanto o próprio conflito. Ela descreveu como nunca viveu um inverno tão severo desde a Segunda Guerra Mundial, com a temperatura dentro de seu apartamento oscilando entre 8 °C e 11 °C e soluções improvisadas como garrafas plásticas com água quente sendo a única fonte de calor.
Voluntários que visitam moradores instam que mesmo pequenas atenções e conversas são vitais para manter a esperança diante de condições tão adversas. A situação reflete uma crise humanitária mais ampla: milhares de prédios continuam sem aquecimento enquanto equipes de reparo lutam contra o tempo e novos ataques que cortam novamente a energia logo após consertos.
Em muitas partes da cidade, moradores se agasalham com múltiplos suéteres, fogões a gás improvisados e qualquer fonte mínima de calor, enquanto o perigo de “ficar dormente” devido ao frio extremo se torna uma ameaça diária.
Esse cenário devastador evidencia como o inverno exacerba os efeitos da guerra, deixando os mais vulneráveis expostos a riscos extremos. A luta pela volta da eletricidade e do aquecimento tornou-se central não apenas para o conforto, mas para a própria sobrevivência de milhares de civis que, no coração da Europa do século XXI, tremem literalmente de frio em suas próprias casas.





