Pouco depois da Nestlé anunciar o fim da produção de sorvetes, motivada por uma reorganização global da companhia, outro símbolo da indústria alimentícia está se despedindo das produções no Brasil.
A tradicional Chocolates Pan encerrou definitivamente as atividades de sua fábrica em São Caetano do Sul (SP), colocando fim a uma história iniciada em 1935.
Fundada por imigrantes italianos, a empresa cresceu junto com a cidade do ABC paulista. Ao longo de décadas, manteve o perfil familiar e apostou em produtos populares, que conquistaram espaço entre o público.
Produtos que viraram memória afetiva
Mais do que fabricar doces, a Pan construiu uma relação emocional com o público. As moedas de chocolate embaladas em papel dourado se tornaram símbolo de aniversários entre os anos 70 e 90. Já os famosos “cigarrinhos” de chocolate, conhecidos anos depois como “lápis”, e o clássico Pan d’Água, presença constante em baleiros de vidro, também ajudaram a consolidar a marca.
Dívidas, atraso tecnológico e mudança no consumo
Apesar da força nostálgica, a empresa enfrentava dificuldades estruturais há anos. Com maquinário defasado, alta concorrência de multinacionais e dívidas que ultrapassaram R$ 260 milhões, a Pan entrou em recuperação judicial em 2021. A retração do consumo durante a pandemia também agravou o cenário.
Além disso, a mudança no perfil do consumidor, mais atento à qualidade do cacau e a produtos “premium”, reduziu o espaço para linhas com formulações antigas.
Marca sobrevive, fábrica não
Embora a produção tenha sido encerrada e os equipamentos leiloados, a marca foi adquirida pela Cacau Show. A expectativa é que itens clássicos possam retornar ao mercado sob nova gestão.






