Um vídeo gravado no interior do Ceará colocou um agricultor no centro de uma história improvável. Ao perfurar um poço artesanal em busca de água, Sidrônio Moreira acabou encontrando um líquido escuro e espesso que levantou a suspeita de se tratar de petróleo. O caso ocorreu no Sítio Santo Estevão, na zona rural de Tabuleiro do Norte, no Sertão cearense.
Perfuração em busca de água terminou em surpresa
Morador da Chapada do Apodi, no Baixo Vale do Jaguaribe, Sidrônio decidiu investir recursos da própria aposentadoria para tentar resolver a falta d’água na propriedade. A escavação começou em novembro de 2024 e ultrapassou 40 metros de profundidade sem atingir o lençol freático. No lugar da água, surgiu um material escuro, com odor forte.
Uma segunda tentativa, a cerca de 50 metros do primeiro ponto, repetiu o resultado aos 23 metros de profundidade. Diante da situação, os trabalhos foram suspensos e os poços isolados. Meses depois, um dos filhos recolheu uma amostra do líquido e percebeu que o material apresentava comportamento inflamável.
Análises e investigação
O caso foi levado ao campus do Instituto Federal do Ceará (IFCE) em Tabuleiro do Norte. Segundo o engenheiro químico Adriano Lima, a profundidade rasa chamou atenção, já que ocorrências desse tipo costumam ser registradas em níveis muito mais profundos.
A amostra foi encaminhada para análises complementares na Universidade Federal do Semi-Árido, em Mossoró (RN). Os testes indicaram a presença de uma mistura de hidrocarbonetos com características semelhantes às encontradas em petróleo terrestre da Bacia Potiguar. Apesar disso, o resultado é preliminar e não confirma a existência de uma reserva explorável.
O IFCE comunicou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), lembrando que recursos minerais pertencem à União, mesmo quando localizados em propriedade privada.
Lembrança de um passado recente
O episódio remete ao clima de euforia que marcou o setor de óleo e gás em 2012, quando a OGX, empresa ligada a Eike Batista, anunciou descoberta na Bacia de Santos. Na época, estimativas bilionárias impulsionaram ações na Bolsa e elevaram expectativas no mercado.
Anos depois, o empresário enfrentou colapso financeiro e processos judiciais. Enquanto o caso no Ceará aguarda avaliação oficial, a prioridade da família de Sidrônio segue sendo a mesma do início: garantir acesso à água.





